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Paraíso Perdido (2018) – Crítica – District Midia


Olá! O filme de hoje é Paraíso Perdido, dirigido por Monique Gardenberg (de Ó Paí, Ó). Trailer?

O filme começa com a ida do policial Odair (Lee Taylor) à boate Paraíso Perdido. Ele acaba vendo a drag Imã (Jaloo) sendo atacada e a salva. E aí o avô dela José (Erasmo Carlos), dono da boate, contrata ele como segurança de Imã. A família inteira é cheia de cantores e todo mundo se apresenta na boate cantando musicas bregas. E aí no dia a dia conhecemos cada um dos integrantes da família e do próprio Odair. E aí o roteiro usa as situações do cotidiano para discutir todo tipo de questão social e discussão de minorias e tudo mais.

O elenco também inclui Julio Andrade, Hermila Guedes, Seu Jorge, Julia Konrad, Malu Galli, Marjorie Estiano, Humberto Carrão, Felipe Abib, Paula Burlamaqui e Nicole Puzzi.

Roteiro

E aí gente, eu não sei nem por onde começar. O roteiro é super bem construido. Tem muitas cenas de história pesada intercaladas com músicas que dão uma aliviada mas mesmo assim dizem coisas que complementam o sentimento da cena antes ou depois. Ele fala de diversos assuntos de forma natural, fala de lgbtq fobia, fala de aborto, prisão, permitindo ter um pouco de tudo. Uma boa comparação são duas cenas de sexo, uma hetero e uma gay. As duas foram feitas exatamente com o mesmo tom e o mesmo clima. Muito legal!

E a forma como as coisas são mostradas dá profundidade pra um elenco principal gigantesco sem ficar expositivo demais. Isso acaba nos deixando muito envolvidos pela atmosfera não só da boate mas daquela família, super amorosa e carinhosa dentro de situações que a colocariam como disfuncional. Mas funciona e você meio que se sente parte daquele universo, se compararmos com filmes parecidos podemos dizer Paraíso Perdido se destaca bastante em relação a imersão.

Criando a Atmosfera

Uma coisa que também ajuda muito a criar esse clima é a direção de fotografia Pedro Farkas (que também fez Jenipapo) fez um trabalho bem significativo para transmitir as emoções necessárias para cada cena . A maior parte do filme se passa dentro da boate ou na rua ao lado e a atmosfera te envolve da mesma forma quando você vai numa boate e esquece da vida. É tudo muito escuro, fechado e surpreendentemente próximo. O fato de ser sempre a noite acaba deixando a gente meio sem saber quanto tempo passa na história e a coisa fica toda meio lúdica, se foi Paraíso Perdido foi trabalhado para ter essa sensação de não saber ao certo o tempo que se passou, podemos dizer que a direção esta de parabéns, o resultado foi incrível .

Merece destaque também a trilha sonora. Foi feita pelo Zeca Baleiro e eu nem preciso dizer mais nada. O filme é cheio das músicas bregas, e elas são um personagem a parte. A música conversa com você. Os personagens usam as canções pra expressar seus sentimentos e te envolvem naquele universo particular da boate. Elas também são muito importantes pra te colocar dentro daquele micro universo e deixa tudo tão legal..

O elenco tem atuações incríveis. Pra mim Jaloo é o grande destaque, mas Julio Andrade e Hermila Guedes também fazem papéis muito bem executados. Assim, nem tudo são flores e alguns atores deixam a desejar. Mas nada estraga as atuações do filme como um todo.

A direção de arte Valdy Lopes), figurino (Cassio Brasil) e maquiagem (Rosemary Paiva) fecham a criação de um universo mágico e perfeito em suas imperfeições. O conjunto maquiagem/figurino desenha a personalidade das pessoas de uma forma impressionante. Imã, que é a pura alma de artista e está feliz da vida tem sempre cabelo figurino e maquiagem impecáveis. Celeste (Julia Konrad) tem uma maquiagem e figurino meio básicos e neutros no momento em que sua vida está meio confusa e sem futuro. Mas à medida que ela vai se conhecendo e tendo certeza de si mesma o figurino vai ficando mais rico e complexo e refletindo a firmeza dela mesma. Milene (Marjorie Estiano) é a definição do esquisito, disfuncional e até meio suspeito e a roupa e maquiagem dela passam a sensaão de que alguma coisa ali está erradíssima.

É um filme que eu recomendo MUITO que seja visto, e que seja visto rápido (já que filmes desse tipo tendem a ficar pouco tempo em cartaz). Corram, assistam e conversem. Esse é um ótimo filme pra conversar sobre e dividir as impressões que cada um teve e como aquelas imagens batem pra cada um.

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